quarta-feira, 21 de março de 2007

Onde estão os donos de agências?

Sempre me angustiou a idéia de que para promovermos encontros e discussões da ARP que envolvam donos de agência e estudantes, seremos sempre um fracasso! O primeiro público -donos de agências - são as pessoas mais difíceis de que se tem notícia para reunir. Quando o mercado vai bem, a última coisa que os donos de agência querem é se reunir com outros donos de agências. Afinal isso seria pura perda de tempo, já que a minha agência vai bem obrigado, o resto que se dane. Quando o mercado vai mal, aí é que não se reúne ninguém mesmo. Mas pelo motivo contrário: porque eu iria ao encontro dos meus concorrentes numa hora difícil dessa? Então, na verdade, temos muito poucos motivos para nos reunir. Muito poucos motivos para discutir e pouquíssimo espaço para buscar saídas conjuntas. Lutamos cada um a seu modo e esperamos que alguma coisa mágica aconteça que nos devolva às decadas passadas, os clientes fáceis, as grandes verbas e o prestígio que todos tinham. Enquanto os donos de agência só conseguirem olhar para o hall bonito de suas agências e para o seu próprio umbigo, podem esperar pelo pior no edital que está para sair. (Este poste é de autoria de Arthur Bender, vice-presidente da ARP e diretor-superintendente da Martins+Andrade).

É brabo

Enquanto Inglaterra, Alemanha e França, lá pelos idos do século dezenove, promoviam o verdadeiro espetáculo do crescimento, inventando a pilha, o telégrafo, a lâmpada, o rádio, uma versão surpreendente da origem das espécies e milhares de quilômetros de ferrovia, a nossa elite branca, senhora da terra e mãe adotiva da burocracia, mantinha a escravidão e recorria a empréstimos estrangeiros para atender duas grandes prioridades: a organização do exército e da marinha (Uaaauuuu!, como diz um out-door em exposição na cidade). No Brasil do século dezenove, o comprimento da unha do dedo mínimo do cidadão mais ajeitadinho (ver registro histórico no livro “A Capital da Solidão”, de Roberto Pompeu de Toledo) era sinal de status, a prova de que o distinto não botava a mão no batente. Exportávamos commodities que índios e negros se esfolavam para produzir. Isto tem cento e poucos anos. É pouco tempo. Não me surpreendente que ainda tenhamos tanta dificuldade em agregar valor aos nossos produtos e serviços e que ainda tratemos nossos clientes aos gritos (como conta Arthur Bender em seu http://www.blogdoarthurbender.blogspot.com/). “É brabo, mas é queijo,” como diria Teixeirinha.

terça-feira, 20 de março de 2007

Silêncio

Depois de duzentos e tantos anos de amor e ódio pela peonada, o empresariado nacional enfrenta o seguinte parodoxo: 10% da população brasileira desempregada e milhares de vagas não-preenchidas por falta de capital humano minimamente qualificado. Gente remunerada em real e formada na escola pública brasileira é incompatível com tralhas cotadas em euro. O problema está na pauta dos principais fóruns empresariais da atualidade, onde convicções são repensadas, procedimentos são revistos e benefícios, rediscutidos. Curioso o silêncio sepulcral dos donos de agências do nosso mercado. Enquanto isso, as faculdades de comunicação proliferam e despejam despreparados nas filas de estágio em quantidades industriais.

segunda-feira, 19 de março de 2007

Dia do Consumidor

Uma passada rápida pelos jornais locais e nacionais, e constato: além da campanha do McDonnald´s, na qual a rede apresenta os critérios utilizados em sua comunicação, o Dia do Consumidor, isto é, o Dia do Cliente do nosso Cliente, não houve mais nada que merecesse destaque. Na campanha, o McDonald´s reafirma alguns compromissos (nunca utilizar linguagem imperativa em suas peças publicitárias, não anunciar em programas de conteúdo direcionado a menores de 6 anos, não anunciar e não promover os seus produtos em escolas, não estimular o consumo excessivo de seus produtos, incentivar sempre uma alimentação balanceada e a prática de exercícios. Bonito isso. Temos aí um bom exemplo a ser seguido pela propaganda (ainda freqüente no Brasil) que usa letras grandes para dar e miúdas para tirar.

Delicadezas

Estimo em milhares de recados, propostas, sugestões, idéias, projetos, afetuosas homenagens, elogios sinceros, convites, enfim, uma formidável quantidade de sentimentos, planos e possibilidades, que ficam esperando, diariamente, sins ou nãos. E nada. Muita gente simplesmente não responde às mensagens que recebe. A correria, a falta de tempo, o spam e os intrusos que se alimentam do tempo dos outros, são algumas das justificativas mais freqüentes para a indelicadeza de não retornar um mail, um telefonema, um recado na secretária eletrônica. Quem sabe não sugerimos uma nova disciplina a um destes pós com ênfase em marketing, algo que poderíamos chamar (aceito sugestões) de “Delicadezas Nas Relações com o Mercado”. Nossa querida e sempre elegante Célia Ribeiro poderia ministrar as aulas.

Aprovado por

Os criativos das agências de publicidade dependem visceralmente dos corajosos do Cliente. Sem o destemor destes boas idéias podem desaparecer no escuro dilacerante (para os criativos) das gavetas. Portanto, o "aprovado por" não teria que ser mais valorizado em nosso Salão. Os corajosos que aprovam (muitas vezes, colocando os seus respectivos na reta) não teriam que subir ao palco para também receberem suas latinhas? Além de justiça, seria política de boa vizinhança. Vejamos o caso específico da boa idéia da Escala em publicar o filme "Mosquitoes in love" no Youtube. O dr. Francisco Paz, no caso o corajoso da Secretaria de Saúde RS, aprovou a ação, bateu o martelo e tudo indica assumiu, sozinho, a responsabilidade pela publicação. Se a peça for premiada, o cara não merece subir ao palco do Salão deste ano?