sexta-feira, 13 de abril de 2007
Marcas jamais esquecidas
Na edição Especial da Revista Amanhã, as marcas mais lembradas do Rio Grande em 2007. Depois de folhear o exemplar novinho, exalando a tinta e couché, produzo um surto de nostalgia, que não resisto e divido com vocês. De repente, lá estão elas: Wallig (o fogão), Bromberg, Sloper, Krahe, J.H. Santos, Imcosul, Carro do Povo (e os jingles de Hermes Aquino), Rádio Continental (the one), Confeitaria Matheus, Rocco, Guaspari, Bazar Floresta, Cine Teatro Colombo e outras desaparecidas, mas jamais esquecidas.
quinta-feira, 12 de abril de 2007
Certas canções - Final
"Certas canções que ouço / cabem tão dentro de mim / que perguntar carece / Como não fui eu que fiz." (Milton Nascimento)
Saímos da Sociedade Libanesa, João Paulo Dias (o Jopa) e eu, e caminhamos três ou quatro quadras na direção do condomínio onde ele mora. No caminho falamos pelos cotovelos sobre o novo. A palestra de Júlio validou muitas de nossas crenças sobre o presente e o futuro do negócio da propaganda. Lembrei da canção de Milton Nascimento, em especial, do verso que transcrevi em todos os postes anteriores, enquanto ardíamos sob um sol inclemente, que encharcou a minha camisa numa fração de segundos. Depois, acomodados em dois confortáveis sofás, derrubamos meio litro de Coca Light bem gelada e trocamos algumas impressões sobre o medo do novo com o qual Júlio Ribeiro iniciara a palestra. Me queixei do conservadorismo dos gaúchos e da necessidade do RS um dia deitar no divã. Jopa tem uma visão menos “catastrófica” da influência do sobrepeso das nossas origens e formação cultural sobre o jeito gaúcho de tocar os negócios. O tema merece um debate com as presenças de empresários, psiquiatras (temos alguns dos melhores do mundo), estudantes, consumidores, publicitários. Não tenho a menor dúvida de que Jopa e eu avançaríamos pelo resto da tarde, especulando, inventando e catando o novo. Nossas agendas daquela quarta-feira nos obrigaram a adiar a investigação. Chamei um táxi. Segue o baile.
Certas canções III
"Certas canções que ouço / cabem tão dentro de mim / que perguntar carece / Como não fui eu que fiz." (Milton Nascimento)
Júlio contou que está empenhado na “destruição” do Grupo Talent. Disse isso para uma platéia de 105 empresários, publicitários, profissionais de marketing, entre os quais executivos da Ipiranga (cliente da Talent). Corri os olhos para a mesa onde estavam estes últimos. Notei que havia em todos um ar de satisfação, orgulho, sei lá, se eu fosse cliente adoraria ouvir do dono da minha agência uma promessa de renovação como aquela. A Talent criou o Tlab. Resumidamente, um grupo de inventivos gerando novas idéias para os clientes (novos produtos, novas formas de comunicar, novos meios, enfim, a missão do Tlab é perseguir o novo). O ator principal das bem-humoradas ações de lançamento da novidade da Talent é o escaravelho, mais conhecido como rola-bosta.
Certas canções II
"Certas canções que ouço / cabem tão dentro de mim / que perguntar carece / Como não fui eu que fiz." (Milton Nascimento)
Encontrei com Júlio Ribeiro duas vezes. A primeira, num festival de propaganda de Gramado (não lembro o ano). Lembro apenas que a palestra dele foi a única coisa inteligente daquela edição do evento. Lembro também que não tive coragem de dizer-lhe que estava tentando construir minha trajetória no negócio da propaganda inspirado no ideário da sua recém fundada Talent e que ele era minha maior referência. Eu era um jovem cagão (também perdi a oportunidade de bater na porta de Érico Verissimo para apertar sua mão e dizer-lhe que devia à sua obra e ao Irmão Mainar Longhi, meu professor de Português no Rosário e na PUC, a maior descoberta da minha adolescência: o prazer da leitura). Estou divagando, eu sei. Bem, o outro encontro com Júlio Ribeiro foi ontem, no almoço promovido pela AMCHAM. Desta vez, no final da palestra, esperei que ele atendesse a imprensa, caminhei na sua direção, dei-lhe o meu cartão, apertei a sua mão e me identifiquei: “eu sou o cara que te tirou de uma reunião, ontem à tarde, pra ouvir a palestra em primeira mão”. Ele sorriu e foi embora. Como vocês podem ver, hoje, sou um jovem menos cagão.
Encontrei com Júlio Ribeiro duas vezes. A primeira, num festival de propaganda de Gramado (não lembro o ano). Lembro apenas que a palestra dele foi a única coisa inteligente daquela edição do evento. Lembro também que não tive coragem de dizer-lhe que estava tentando construir minha trajetória no negócio da propaganda inspirado no ideário da sua recém fundada Talent e que ele era minha maior referência. Eu era um jovem cagão (também perdi a oportunidade de bater na porta de Érico Verissimo para apertar sua mão e dizer-lhe que devia à sua obra e ao Irmão Mainar Longhi, meu professor de Português no Rosário e na PUC, a maior descoberta da minha adolescência: o prazer da leitura). Estou divagando, eu sei. Bem, o outro encontro com Júlio Ribeiro foi ontem, no almoço promovido pela AMCHAM. Desta vez, no final da palestra, esperei que ele atendesse a imprensa, caminhei na sua direção, dei-lhe o meu cartão, apertei a sua mão e me identifiquei: “eu sou o cara que te tirou de uma reunião, ontem à tarde, pra ouvir a palestra em primeira mão”. Ele sorriu e foi embora. Como vocês podem ver, hoje, sou um jovem menos cagão.
Certas canções I
"Certas canções que ouço / cabem tão dentro de mim / que perguntar carece / Como não fui eu que fiz." (Milton Nascimento)
Enquanto devorava, silencioso e reverente, o majestático filé servido no almoço da AMCHAM, ouvi o Presidente do Grupo Talent falar do medo do novo. O maior de todos os medos do homem, segundo ele. Que aquecimento global, que nada! O medo do novo nos atormenta, paralisa, embrutece e emburrece (observações minhas) e tem levado milhares de empresas à falência (constatação dele com a qual concordo integralmente). A origem do cagaço está na certeza de que o novo não substitui o velho (a lâmpada não substituiu a vela. A lâmpada matou a vela). Ou seja, o novo mata o velho (o trocadilho é infame, eu admito).
Enquanto devorava, silencioso e reverente, o majestático filé servido no almoço da AMCHAM, ouvi o Presidente do Grupo Talent falar do medo do novo. O maior de todos os medos do homem, segundo ele. Que aquecimento global, que nada! O medo do novo nos atormenta, paralisa, embrutece e emburrece (observações minhas) e tem levado milhares de empresas à falência (constatação dele com a qual concordo integralmente). A origem do cagaço está na certeza de que o novo não substitui o velho (a lâmpada não substituiu a vela. A lâmpada matou a vela). Ou seja, o novo mata o velho (o trocadilho é infame, eu admito).
terça-feira, 10 de abril de 2007
Tietagem (minha), previsões (dele). O Presidente da Talent fala, por telefone, para O Blogue da ARP.
Marco: Não sei se você vai gostar de saber, mas há exatos 24 anos copiei praticamente todo o ideário da Talent. Fundei uma agência com o ideário da Talent. Aliás, eu costumava dizer que queria ser a Talent dos Pampas.
Júlio: Muito obrigado.
Marco: Meus gurus eram Jay Chiat, lá fora, e Júlio Ribeiro, no Brasil...
Júlio: (silêncio)
Marco: Você me perdoa a tietagem, mas eu precisava lhe contar este episódio e esta pareceu ser uma excelente oportunidade.
Júlio: (silêncio)
Marco: Depois de 24 anos, tenho dúvidas sobre o modelo que você criou e eu copiei. Não sei se ele tem futuro. O que você acha?
Júlio: Amanhã, vou a Porto Alegre para falar sobre isto.
Marco: (insistente) O que você acha que vai acontecer com nossos negócios?
Júlio: (catando uma palhinha da palestra) Eu acho que as pessoas não querem mais comprar o produto que estamos vendendo.
Marco: (silêncio interrogativo)
Júlio: Há outros tipos de demandas. O consumidor está atraído pelo conceito de celebrity...
Marco: (copiando alucinadamente)
Júlio: as pessoas querem interação...
Marco: ...já seria um legado da cultura internet?
Júlio: (encerrando porque tinha saído de uma reunião) As pessoas querem intervir (pausa) a idéia de intervenção (nova pausa). Você vai estar no almoço, amanhã?
Marco: Sem dúvida.
Júlio: Então, terminamos esta conversa, amanhã. Um abraço.
Marco: (já revendo os rabiscos) Outro forte, Júlio, e boa viagem.
Eu quero agradecer ao pessoal, em especial ao Pedro, da AMCHAM, promotora do evento em que Júlio Ribeiro será o palestrante, pela mobilização no sentido de viabilizar este contato.
Júlio: Muito obrigado.
Marco: Meus gurus eram Jay Chiat, lá fora, e Júlio Ribeiro, no Brasil...
Júlio: (silêncio)
Marco: Você me perdoa a tietagem, mas eu precisava lhe contar este episódio e esta pareceu ser uma excelente oportunidade.
Júlio: (silêncio)
Marco: Depois de 24 anos, tenho dúvidas sobre o modelo que você criou e eu copiei. Não sei se ele tem futuro. O que você acha?
Júlio: Amanhã, vou a Porto Alegre para falar sobre isto.
Marco: (insistente) O que você acha que vai acontecer com nossos negócios?
Júlio: (catando uma palhinha da palestra) Eu acho que as pessoas não querem mais comprar o produto que estamos vendendo.
Marco: (silêncio interrogativo)
Júlio: Há outros tipos de demandas. O consumidor está atraído pelo conceito de celebrity...
Marco: (copiando alucinadamente)
Júlio: as pessoas querem interação...
Marco: ...já seria um legado da cultura internet?
Júlio: (encerrando porque tinha saído de uma reunião) As pessoas querem intervir (pausa) a idéia de intervenção (nova pausa). Você vai estar no almoço, amanhã?
Marco: Sem dúvida.
Júlio: Então, terminamos esta conversa, amanhã. Um abraço.
Marco: (já revendo os rabiscos) Outro forte, Júlio, e boa viagem.
Eu quero agradecer ao pessoal, em especial ao Pedro, da AMCHAM, promotora do evento em que Júlio Ribeiro será o palestrante, pela mobilização no sentido de viabilizar este contato.
segunda-feira, 9 de abril de 2007
Medo do novo.
Recebo mail sobre artigo publicado na Business Week (disparado, a mais importante revista de negócios dos Estados Unidos). A BW ouviu 121 executivos de marketing ligados a empresas anunciantes e agências de propaganda sobre investimentos e uso de novas midias. Quando questionados sobre os termos que eles não agüentam mais ouvir, indicaram "Buzz", "Buzz Marketing", "Viral" e "User-Generated Content" (conteúdo gerado pelo usuário). Não me surpreende. Aliás, morrer de medo do novo é uma das características que nos fazem, como diria Clemente da Nóbrega, "ridiculamente humanos". Aproveitando o gancho: o conservadorismo dos publicitários (apesar da aparência, dos hábitos e dos gostos quase sempre modernos) não daria um bom debate?
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