domingo, 25 de março de 2007
Nós, umbigóides.
A melhor interpretação do país está nas duzentas e poucas páginas de “Raízes do Brasil”, a obra-prima de Sérgio Buarque de Holanda, publicada em 1936. Para entender melhor, por exemplo, o nosso secular fastio para o associativismo, recomendo o ensaio do pai do Chico. Nós, os brasileiros, gostamos de nos esfregar, somos efusivos, festivos e beijoqueiros, mas é sempre muito complicado nos unirmos para alcançar objetivos comuns. Na maioria das vezes em que tentamos, todo mundo desconfia de todo mundo, ninguém põe na reta. Segundo Sérgio Buarque haveria uma razão cultural paralisante. Veja esta passagem do livro: “para os portugueses e espanhóis o índice de valor de um homem infere-se, antes de tudo, da extensão em que não precise depender dos demais, em que não necessite de ninguém, em que se baste. Cada qual é filho de si mesmo.” E mais: “em Portugal e no Brasil, as iniciativas foram continuamente no sentido de separar os homens, não de os unir”. A tranqueira, portanto, não é de hoje. Os donos de agência aos quais Arthur Bender se refere no poste anterior também carregam o maldito legado dos ibéricos: cada um por si e Deus por todos. Examinar este mau-hábito social pode fazer bem a todos nós, publicitários e brasileiros umbigóides.
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